CFOP: O Que É e Como Escolher o Código Certo

CFOP: o que é e como escolher o código certo

CFOP: o que significa cada dígito, tabela com os códigos mais usados, como escolher o certo por operação e os erros que distorcem a apuração.

Por Yasmin Mariani

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Introdução:

O CFOP, Código Fiscal de Operações e Prestações, é o número de quatro dígitos que informa ao fisco o que está acontecendo em cada nota fiscal: se é venda, devolução, remessa, transferência ou compra, e se a operação é dentro do estado, para outro estado ou para o exterior. O primeiro dígito define origem e destino, e os três seguintes definem a natureza da operação. Entradas começam com 1, 2 ou 3, e saídas começam com 5, 6 ou 7. Escolher o código errado nem sempre trava a nota: a SEFAZ costuma autorizar, e o problema aparece meses depois, na apuração distorcida, no crédito negado ao cliente e na divergência entre a escrituração e o que foi efetivamente faturado. Por isso o CFOP é um dos campos que mais gera retificação em pequenas empresas, e um dos mais fáceis de acertar quando o cadastro de operações está bem configurado.

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O que cada dígito significa

C F O P

│ └─┴─┴── natureza da operação

└──────── origem e destino


Primeiro dígito, entradas:

  • 1: entrada vinda de dentro do mesmo estado;
  • 2: entrada vinda de outro estado;
  • 3: entrada vinda do exterior.

Primeiro dígito, saídas:

  • 5: saída para dentro do mesmo estado;
  • 6: saída para outro estado;
  • 7: saída para o exterior.

Os três dígitos restantes identificam o tipo de operação: venda, devolução, remessa, transferência, bonificação, conserto e assim por diante. Eles são os mesmos em qualquer grupo, o que facilita: quem conhece o 5.102 sabe que a versão interestadual é o 6.102.

Os CFOP mais usados no dia a dia

CFOP

Operação

1.102 / 2.102

Compra de mercadoria para comercialização

1.202 / 2.202

Devolução de venda de mercadoria adquirida de terceiros

5.101 / 6.101

Venda de produção do próprio estabelecimento

5.102 / 6.102

Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros



5.202 / 6.202

Devolução de compra para comercialização

5.405

Venda de mercadoria sujeita a substituição tributária, na condição de substituído

5.910 / 6.910

Remessa em bonificação, doação ou brinde

5.915 / 6.915

Remessa de mercadoria para conserto ou reparo

5.916 / 6.916

Retorno de mercadoria recebida para conserto

5.933

Prestação de serviço tributado pelo ISS

5.949 / 6.949

Outra saída não especificada

Como escolher o CFOP certo em quatro perguntas

  1. É entrada ou saída? Entrada começa com 1, 2 ou 3. Saída começa com 5, 6 ou 7;
  2. Qual a origem ou o destino? Mesmo estado, outro estado ou exterior define o primeiro dígito;
  3. Qual a natureza da operação? Venda, devolução, remessa, transferência, bonificação, conserto, amostra;
  4. Qual a tributação envolvida? Produto com substituição tributária, mercadoria de produção própria ou de terceiros e venda a não contribuinte mudam o código.

Respondidas as quatro, o código é único. O erro quase sempre nasce de pular a segunda ou a quarta pergunta.

O erro mais comum: CFOP 5 em venda interestadual

A empresa cadastra o produto com CFOP 5.102, vende para um cliente de outro estado e a nota é autorizada normalmente. Nada trava. O problema aparece depois:

  • A apuração do ICMS fica distorcida;
  • A escrituração fiscal diverge da operação real;
  • O diferencial de alíquota pode deixar de ser recolhido;
  • A retificação de obrigações acessórias vira trabalho de meses.

Por isso o cadastro precisa ter os dois códigos, interno e interestadual, e o sistema precisa escolher automaticamente conforme o estado do destinatário.

Nota autorizada não significa nota correta




CFOP e CST: a dupla que precisa conversar

O CFOP diz o que é a operação. O CST ou CSOSN diz como ela é tributada. Quando os dois não combinam, a nota pode ser rejeitada ou, pior, autorizada com tributação errada.

Combinações que exigem atenção:

  • Produto com substituição tributária e CFOP de venda normal;
  • CFOP de venda a não contribuinte com tratamento de contribuinte;
  • CFOP de remessa com destaque de imposto como se fosse venda;
  • Empresa do Simples Nacional usando CST em vez de CSOSN.

Empresa do Simples usa CSOSN, empresa do regime normal usa CST. Trocar um pelo outro é causa frequente de rejeição, como mostra Como emitir NF-e de produto sem erro.

CFOP nas operações que mais confundem

Devolução. A devolução usa o CFOP correspondente à operação original, invertido. Devolução de venda interna entra como 1.202 na empresa que recebe de volta, e o cliente emite com 5.202 na operação dele.

Bonificação e brinde. Não é venda, é remessa em bonificação. Usar CFOP de venda aumenta receita e distorce a apuração.

Remessa para conserto. Sai com CFOP de remessa e volta com CFOP de retorno, sem caracterizar operação comercial.

Amostra grátis e demonstração. Também têm códigos próprios, com tratamento tributário específico.

Venda a não contribuinte de outro estado. Exige atenção ao diferencial de alíquota, com CFOP específico.

O impacto do CFOP além da nota

O código não fica só no documento. Ele alimenta:

  • A apuração do ICMS, definindo o que é débito e o que é crédito;
  • A escrituração fiscal digital, que o fisco usa em cruzamento;
  • O crédito do cliente, que depende da classificação correta;
  • A composição da receita para fins de Simples Nacional, o que afeta a alíquota efetiva.

Esse último ponto costuma surpreender: operação que não é receita, classificada como venda, pode aumentar a base de cálculo do imposto no mês.

Como organizar o cadastro para não errar

  1. Liste todas as operações que a empresa realmente faz, e não só a venda principal;
  2. Para cada uma, defina o par de códigos interno e interestadual;
  3. Configure o sistema para trocar o primeiro dígito conforme o estado do destinatário;
  4. Revise os produtos com substituição tributária separadamente;
  5. Padronize as naturezas de operação com nomes claros;
  6. Revise o cadastro sempre que a empresa criar uma linha de receita nova.


A organização dos arquivos que comprovam tudo isso está em Como organizar os documentos fiscais da empresa e, no caso das entradas, em Como guardar notas fiscais recebidas de fornecedores.

E se o CFOP saiu errado

Depende do momento:

  • Dentro do prazo de cancelamento: cancele e reemita com o código correto;
  • Fora do prazo: carta de correção não resolve, porque o CFOP altera a natureza da operação. O caminho é nota de devolução ou nota de entrada, com reemissão;
  • Competência já declarada: será necessário retificar a escrituração e as declarações do período;
  • Vários meses com o mesmo erro: vale avaliar o impacto antes de retificar, com apoio contábil.

Os caminhos estão detalhados em Como cancelar nota fiscal emitida por engano.

Erros comuns com CFOP

  • Usar CFOP interno em venda para outro estado;
  • Classificar bonificação, brinde e amostra como venda;
  • Usar 5.949 por não saber qual é o código correto;
  • Ignorar a substituição tributária na escolha do código;
  • Combinar CFOP com CST ou CSOSN incompatível;
  • Usar o mesmo CFOP para produção própria e revenda;
  • Não revisar o cadastro quando entra um produto novo;
  • Deixar de recolher o diferencial de alíquota em venda a não contribuinte.

Casos práticos

Indústria com apuração distorcida

Usava CFOP de revenda para produto de fabricação própria. A nota era autorizada, mas a apuração e a escrituração não refletiam a operação real. A correção exigiu retificação de vários meses.

Comércio que inflou o faturamento

Classificava brindes como venda. O faturamento declarado ficou acima do real, o que elevou a alíquota efetiva no Simples Nacional sem necessidade.

Loja que perdeu cliente corporativo

Emitia com CFOP incompatível com a tributação do produto. A contabilidade do cliente não conseguiu aproveitar o crédito e o pedido migrou para outro fornecedor.

Distribuidora com 5.949 recorrente

O relatório mensal mostrava dezenas de notas no código genérico. A revisão do cadastro mapeou seis operações distintas que estavam todas agrupadas no mesmo código.

Conclusão: o código define a história que a nota conta

O CFOP é pequeno, tem quatro dígitos e decide como o fisco enxerga cada operação da sua empresa. Acertar não depende de decorar tabela, depende de ter o cadastro de operações bem montado, com o par interno e interestadual configurado e a seleção automática pelo sistema. Quando isso está em ordem, o erro praticamente desaparece. Quando não está, o problema só aparece na apuração, quando corrigir já custa retificação.

A Razonet revisa o cadastro de produtos e operações, configura o emissor e confere a apuração contra o que foi efetivamente faturado.

Para continuar, veja Como emitir NF-e de produto sem erro, Como cancelar nota fiscal emitida por engano e Como escolher o CNAE certo em 2026.

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  • Convênio S/Nº de 15 de dezembro de 1970 (normas gerais sobre documentos fiscais e tabela de Códigos Fiscais de Operações e Prestações);
  • Ajuste SINIEF nº 07/2005 (NF-e, DANFE e regras de preenchimento);
  • Lei Complementar nº 87/1996, Lei Kandir (ICMS, incidência, créditos e operações interestaduais);
  • Convênio ICMS nº 142/2018 (substituição tributária e CEST);
  • Emenda Constitucional nº 87/2015 (diferencial de alíquota em operações destinadas a consumidor final não contribuinte);
  • Lei Complementar nº 123/2006 e Resolução CGSN nº 140/2018 (Simples Nacional, composição da receita e CSOSN);
  • Decreto nº 6.022/2007 (SPED e Escrituração Fiscal Digital);
  • Lei nº 8.846/1994 (obrigatoriedade de emissão de documento fiscal);
  • Notas técnicas da NF-e publicadas pelo ENCAT, que definem as regras de validação;
  • Legislação estadual do ICMS, que detalha hipóteses e tratamentos específicos por unidade da federação.




FAQ sobre CFOP

Yasmin Mariani

Yasmin Mariani

Analista Fiscal | Bacharelanda em Ciências Contábeis, atua há dois anos na Razonet. Especialista em processos e rotinas fiscais, incluindo apuração de impostos, regularizações e resolução de pendências nas esferas municipal, estadual e federal.

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