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Checklist Reforma Tributária 2027: 28 itens para preparar sua empresa

Checklist Reforma Tributária 2027: 28 itens para preparar sua empresa até janeiro

Em janeiro de 2027 a CBS entra com alíquota cheia e PIS/Cofins são extintos. Checklist completo para preparar sua empresa no 2º semestre de 2026. PDF baixável.

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Por Ana Salvatori

Publicado em 08 de maio de 2026

Atualizado em 30 de junho de 2026

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Conteúdo do post

  1. Por que 2027 é a primeira virada de verdade
  2. Auditoria do ano-teste (2026)
  3. Decisões estratégicas (com prazo definido)
  4. Preparação financeira para a CBS cheia e split payment
  5. Sistemas (ajustes finais para janeiro)
  6. Operacional e equipe
  7. Compliance e monitoramento
  8. Linha do tempo crítica até janeiro 2027

INTRODUÇÃO

 A virada de 2027 é o primeiro grande choque real da Reforma Tributária. Em 1º de janeiro de 2027, a CBS entra em vigor com alíquota cheia (estimada em ~8,8%), o PIS e a Cofins são extintos, o IPI vai a zero (exceto Zona Franca de Manaus) e o split payment passa a operar com volume relevante de tributo. Diferente de 2026, que foi ano-teste de baixo impacto financeiro, 2027 mexe direto no caixa, no preço e na competitividade da empresa. O segundo semestre de 2026 é a janela crítica de preparação, incluindo a opção pelo Simples Híbrido até setembro de 2026 (irretratável para o 1º semestre de 2027). Este checklist organiza os 28 itens em 6 áreas para você atravessar a virada com tranquilidade.


Por que 2027 é a primeira virada de verdade

O ano de 2026 foi de calibragem. A alíquota-teste do art. 125 do ADCT (0,9% para CBS e 0,1% para IBS) tinha duas funções: testar os sistemas de arrecadação e escrituração, e financiar a estruturação do Comitê Gestor do IBS. O valor recolhido em 2026 é compensável com PIS, Cofins, ICMS e ISS no mesmo período, ou seja, não houve aumento real de carga tributária para a maior parte das empresas em 2026.

Em 1º de janeiro de 2027, isso muda estruturalmente. A CBS sobe para a alíquota cheia estimada em ~8,8% (a alíquota definitiva será fixada por lei ordinária federal), o PIS e a Cofins são extintos definitivamente (art. 126 do ADCT), o IPI vai a zero (exceto produtos da Zona Franca de Manaus, que mantêm IPI residual) e o split payment passa a segregar volumes financeiros relevantes da receita das empresas. Em paralelo, o IBS continua com a alíquota-teste de 0,1%, porque a transição do ICMS/ISS só começa em 2029.

Para a empresa, três efeitos práticos. Primeiro, o fluxo de caixa muda: parte do valor que o cliente paga vai diretamente ao fisco antes de chegar à empresa (split payment), e isso pode comprimir o capital de giro. Segundo, o preço final dos produtos e serviços precisa ser revisitado, quem ainda não colocou IBS+CBS na precificação pode ter erro estrutural na margem. Terceiro, a decisão estratégica do Simples Híbrido (art. 41, §3º LC 214/2025) tem prazo: a opção para o 1º semestre de 2027 é exercida em setembro de 2026 e é irretratável (art. 13, §10 LC 123/2006).

Quem usou 2026 como ano de aprendizado controlado chega em 2027 com a operação azeitada. Quem deixou para depois agora tem 8 meses para arrumar tudo, e os 4 itens com prazo não esperam.

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Auditoria do ano-teste (2026)

Antes de pensar em 2027, audite o que sua empresa fez em 2026. Erros não corrigidos viram dores em janeiro.

1. Avaliar funcionamento do sistema em 2026

Levante: o ERP emitiu corretamente os campos de IBS e CBS desde janeiro? Houve quantas notas fiscais com erro? Algum destinatário recusou nota por preenchimento incorreto? Se a resposta tem qualquer "sim", há ajuste pendente.  Documente os erros e exija correção do fornecedor de software com prazo formal.

2. Conferir compensações da alíquota-teste

Pelo regulamento do ADCT, o valor pago de IBS/CBS em 2026 é compensável com PIS/Cofins/ICMS/ISS no mesmo período. Verifique com o contador se a compensação está sendo feita corretamente. Empresas que não fizeram a compensação ao longo de 2026 podem ter saldo a recuperar. Esse saldo precisa ser identificado e tratado antes do encerramento do exercício.

3. Mapear erros de emissão e corrigir o cadastro

A maioria dos erros recorrentes de emissão de nota fiscal vem de cadastro de produto, serviço ou cliente desatualizado. Faça uma auditoria final do cadastro mestre antes de outubro de 2026: NCM dos produtos, CNAEs ativos, regime tributário de cada cliente e fornecedor. Sem esses dados limpos, 2027 começa torto.

4. Verificar pendências de escrituração paralela

A escrituração paralela de 2026 (registros antigos somados a IBS/CBS-teste) precisa estar completa e conciliada. Pendências viram problema em janeiro, quando o sistema antigo é simplificado e a CBS passa a ocupar o lugar de PIS/Cofins. Audite com o contador antes de novembro.

5. Documentar lições aprendidas

Crie um documento curto (2 a 3 páginas) com: os 5 maiores problemas encontrados em 2026, como foram resolvidos e o que monitorar em 2027. Esse documento é seu manual de operação para a virada e vai poupar muito tempo.

Decisões estratégicas (com prazo definido)

Esses 5 itens têm prazo legal, não dá para deixar para dezembro.

6. DECIDIR sobre Simples Híbrido até setembro de 2026 (PRAZO LEGAL)

Empresas optantes do Simples Nacional regular (ME e EPP, não MEI) precisam decidir até setembro de 2026 se exercem a opção pelo Simples Híbrido (art. 41, §3º LC 214/2025) para o 1º semestre de 2027. A opção é irretratável durante o semestre (art. 13, §10 LC 123/2006). Se sua empresa vende majoritariamente B2B para clientes do regime regular, simulação numérica é obrigatória. Quem não decidir, fica no Simples puro por padrão. Próxima janela só em março de 2027, com efeitos para o 2º semestre.

7. Revisar enquadramento tributário geral

Não é só Simples Híbrido. Sua empresa continua melhor no Simples? Ou já vale a pena migrar para Lucro Presumido? Para Lucro Real? A Reforma Tributária muda a equação para muitas empresas, especialmente as que estão na faixa próxima ao teto do Simples (R$ 4,8 milhões) ou que têm muito crédito a aproveitar. Faça simulação numérica antes de outubro. Veja em detalhe os regimes tributários disponíveis.

8. Mapear regimes diferenciados aplicáveis

Sua atividade entra em alguma redução de alíquota do art. 9º da EC 132/2023? Educação (60%), saúde (60%), alimentos (60%), profissões intelectuais com conselho (30%), produtos agropecuários in natura (60% ou 100% para hortícolas), Cesta Básica Nacional (alíquota zero). Cada redução muda a competitividade do seu negócio. Confirme antes de janeiro com base nos regulamentos atualizados do CGIBS.

9. Avaliar estrutura societária

Empresas com múltiplas atividades, holdings familiares ou estruturas multi-CNPJ precisam reavaliar o desenho societário diante do novo cenário tributário. Cisão, fusão ou reorganização que faria sentido em 2027 deve ser planejada agora, operações societárias têm prazos legais e tributários próprios.

10. Decidir sobre filiais e centros de distribuição

O princípio do destino do IBS (alíquota cobrada onde o consumidor está) muda a lógica de localização de centros de distribuição. Se sua empresa tem CD em estado com benefício fiscal de ICMS, esse benefício se extingue progressivamente. Avalie até dezembro se vale manter, mover ou consolidar unidades.

Setembro de 2026 não espera ninguém.

A escolha entre Simples puro ou Simples Híbrido é irretratável e mexe direto na sua margem de 2027. A Razonet faz a simulação numérica para o seu CNPJ e te ajuda a tomar a decisão certa antes do prazo virar.

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Preparação financeira para a CBS cheia e split payment

Aqui é onde 2027 dói no caixa. Sem modelagem prévia, sua empresa pode entrar em janeiro com fluxo apertado.

11. Modelar carga tributária 2027 com CBS cheia

Refaça a projeção financeira de 2027 considerando: CBS a ~8,8% sobre a receita, PIS/Cofins extintos, IPI zero (exceto ZFM), IBS ainda em alíquota-teste de 0,1%. Compare com a carga atual (PIS+Cofins do regime atual). Para empresas do regime cumulativo (3,65%), a CBS cheia representa aumento. Para empresas do não cumulativo (9,25% com créditos limitados), pode representar redução por causa do creditamento amplo.

12. Projetar fluxo de caixa com split payment ativo

O split payment vai segregar automaticamente a CBS do pagamento dos clientes em 2027. Empresas que recebem por cartão, PIX e boleto verão essa parcela ir direto ao fisco. Calcule o impacto no fluxo mensal. Se o cliente paga em 30 dias e seu fornecedor recebe em 7 dias, a CBS cheia pode comprimir o capital de giro em 1% a 2% do faturamento. Esse cálculo orienta a decisão sobre capital de giro.

13. Negociar capital de giro adicional preventivamente

Banco preza empresa que se prepara antes da abertura. Negocie linha de crédito ou cheque especial com base na projeção do item anterior antes de precisar, taxas tendem a ser melhores que em momento de aperto. Empresas com saldo credor de IBS/CBS em 2026 podem usar isso como argumento de garantia.

14. Revisar precificação de produtos e serviços

Sua tabela de preços de 2027 precisa refletir IBS+CBS embutidos. Empresas B2C precisam comunicar a mudança ao consumidor (a Lei do Consumidor exige transparência). Empresas B2B precisam alinhar com clientes se a nota será emitida com IBS+CBS destacado e qual será o impacto no preço final. Revisão de tabela é obrigatória, não é opcional.

15. Renegociar contratos com cláusula de tributos

Contratos longos (locação, serviços continuados, fornecimento) com cláusula genérica de tributos podem virar fonte de litígio em 2027. Aproveite o segundo semestre de 2026 para renegociar cláusulas com texto explícito sobre IBS, CBS, IS, fim do PIS/Cofins/IPI/ICMS/ISS, e mecanismo de repasse. Inserir agora, com tempo, é defesa preventiva.

O split payment vai apertar o seu caixa em 2027.

A Razonet faz a modelagem do impacto da CBS cheia no fluxo de caixa do seu negócio e te ajuda a planejar capital de giro antes do aperto bater. Empreendedor preparado dorme tranquilo.

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Sistemas (ajustes finais para janeiro)

O sistema que você usou em 2026 precisa de uma revisão final antes de virar.

16. Validar configuração da CBS cheia no ERP

Confirme com o fornecedor do ERP: a configuração de alíquota da CBS está prevista para subir automaticamente em 1º/01/2027? Em qual data exata o sistema faz a virada? Há janela de homologação para você testar antes? Exija prazo formal por escrito até outubro.

17. Confirmar fim de PIS/Cofins no sistema

PIS e Cofins são extintos em 1º/01/2027 (art. 126 ADCT). O sistema precisa parar de gerar essas obrigações automaticamente. Cuidado: contratos antigos podem ter cláusulas que ainda referenciam PIS/Cofins. Alinhe escrituração com o jurídico.

18. Para indústria: confirmar IPI zero (ou ZFM)

Se sua empresa é industrial fora da Zona Franca de Manaus, o IPI vai a zero em 2027 (exceto produtos com benefício específico). Para empresas da ZFM, mantém-se IPI residual como mecanismo de compensação. Confirme com o sistema fiscal qual a configuração para sua linha de produtos.

Operacional e equipe

20. Treinamento de reforço com valores reais

Em 2026 a equipe se acostumou com alíquotas-teste simbólicas. Em 2027 os valores são reais e relevantes. Refaça a capacitação interna focada em casos práticos: como o cliente vai ver o destaque de CBS na nota, como explicar para o consumidor B2C, como conferir cálculo de crédito.

21. Atualizar políticas comerciais

Tabela de preços, política de descontos, política de devolução, política de garantia, tudo precisa ser revisitado considerando o novo destaque tributário. Devolução de mercadoria em 2027, por exemplo, gera estorno de débito de CBS. Esse fluxo precisa estar claro para o time comercial.

22. Revisar rotinas de compras (créditos)

Com o creditamento amplo de IBS/CBS (art. 47 LC 214/2025), o departamento de compras passa a ter papel mais estratégico. Escolher fornecedor do regime regular versus fornecedor do Simples puro afeta diretamente o crédito da empresa. Revise o procedimento de homologação de fornecedores para incluir o regime tributário como critério.

23. Plano de contingência para janeiro de 2027

Se em 2026 deu para errar pequeno, em 2027 erro vira problema financeiro. Tenha plano de contingência claro: se o sistema travar, o que fazemos? Quem é o responsável de plantão? Qual o procedimento de emissão manual via portal SEFAZ? Documento simples, atualizado, em pasta acessível.

Compliance e monitoramento

24. Acompanhar regulamentações do segundo semestre de 2026

Em 2026, o Comitê Gestor do IBS (CGIBS), o Senado Federal e a Receita Federal vão publicar resoluções e atos normativos quase mensalmente. Crie alerta de Google para "CBS Receita Federal", "CGIBS resolução" e "Simples Híbrido". Tenha um boletim mensal com seu contador digital. Não pode entrar em 2027 desatualizada.

25. Revisar cadastros estaduais e municipais

Inscrição estadual (SEFAZ), inscrição municipal (Prefeitura), credenciamento como contribuinte de ICMS-ST onde aplicável, tudo precisa estar regular antes de janeiro. Cadastros pendentes podem travar emissão de nota nos primeiros dias do ano. Vale a pena também revisar o certificado digital se o vencimento estiver próximo.

26. Confirmar regularidade fiscal

Empresa irregular tem mais dificuldade em qualquer transação tributária, ressarcimento de saldo credor, alteração de regime, opção pelo Híbrido. Tire as certidões negativas de débitos (CND) federal, estadual e municipal em outubro/novembro e regularize o que estiver pendente.

27. Definir KPIs do novo cenário

Indicadores de monitoramento para 2027: percentual de notas emitidas sem erro, tempo médio de apuração mensal, número de retificações, percentual de crédito tomado versus potencial, impacto da CBS no fluxo de caixa. Comece a medir em janeiro e revise mensalmente.

28. Agendar revisões trimestrais 2027

A Reforma vai gerar regulamentação infralegal continuamente. Agende já reuniões trimestrais com o contador para 2027 (primeira em março de 2027, antes da janela de opção pelo Simples Híbrido para o 2º semestre). Revisão recorrente substitui correção emergencial.

Quem cuida da sua escrituração paralela hoje?

Na Razonet, o time de contadores fica de olho em cada resolução do CGIBS, cada nota técnica da Receita e cada mudança da Reforma Tributária. Você cuida do negócio, a gente cuida da papelada.

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Linha do tempo crítica até janeiro 2027

Maio a agosto de 2026: auditoria de 2026, simulações numéricas, mapeamento de créditos, modelagem de fluxo de caixa, treinamento de reforço.

Setembro de 2026: DEADLINE da opção pelo Simples Híbrido para o 1º semestre de 2027 (irretratável).

Outubro a novembro de 2026: revisão final de cadastros, validação da configuração 2027 no ERP, renegociação de contratos, atualização de políticas comerciais.

Dezembro de 2026: testes finais em homologação, treinamento operacional último round, comunicação a clientes B2B principais, certidões negativas em dia.

1º de janeiro de 2027: CBS cheia em vigor, PIS/Cofins extintos, IPI zero (exceto ZFM), split payment ativo.

Primeiros 90 dias de 2027: monitoramento intensivo de KPIs, conferência dupla de emissão e apuração, ajustes finos.


A virada de 2027 é o momento em que a Reforma Tributária deixa de ser tema de planejamento e vira fluxo de caixa real. A diferença entre as empresas que vão atravessar com tranquilidade e as que vão sofrer é exatamente o que cada uma fizer no segundo semestre de 2026.

Os 28 itens deste checklist organizam o que precisa ser feito de forma metódica, com deadlines claros, especialmente o de setembro de 2026 para o Simples Híbrido. Empresas que organizarem esse semestre vão começar 2027 com a operação azeitada e podem até capturar oportunidades nos regimes diferenciados. Quem deixar para a última hora vai operar no escuro no momento de máxima carga financeira.

Não enfrente 2027 sozinho.

Os 28 itens deste checklist são o mínimo. A Razonet executa cada um deles com você, do enquadramento tributário até o ajuste do ERP, com plano que cabe no bolso do pequeno empreendedor.

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Autor:

Ana Salvatori

COO e contadora especialista em Reforma Tributária e Simples Nacional, pós-graduada em Finanças e Custos e com MBA em Inovação e Liderança na Gestão de Projetos em Portugal. Com atuação há mais de 15 anos de carreira na área contábil.



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Tópicos:Empreendedorismo,Abertura de empresa
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