Quanto custa um empregado CLT em 2026? Guia completo do custo real

Quanto custa um empregado CLT em 2026 para a empresa?

Quanto custa contratar CLT em 2026? Veja todos os encargos, provisões, benefícios e a diferença entre Simples, Presumido e Real, com exemplos numéricos.

Por Pâmela Chaves

Publicado em 19 de agosto de 2026

Atualizado em 31 de agosto de 2026

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Introdução:

Contratar um empregado CLT custa, no geral, de 1,4 a 2,0 vezes o salário bruto contratado, dependendo do regime tributário da empresa, dos benefícios oferecidos e das provisões obrigatórias. Em números redondos, para um salário base de R$ 3.000 mensais em 2026, o custo total mensal ao empregador varia de R$ 4.200 (Simples Nacional, sem benefícios extras) a R$ 6.000 (Lucro Presumido, com VR, VT e plano de saúde). O cálculo inclui: (1) salário base + adicionais, (2) encargos patronais (FGTS 8%, CPP 20% - substituído no DAS para Simples nos Anexos I, II, III e V - Sistema S de 5,8%  RAT 1-3%), (3) provisões contábeis de férias (1/12 + 1/3), 13º salário (1/12) e multa rescisória (40% do FGTS), (4) benefícios (vale-transporte 6%, vale-refeição, plano de saúde), e (5) custos administrativos (eSocial, contabilidade, uniforme, equipamento). Empresas do Simples Nacional pagam menos, porque a CPP de 20% está embutida no DAS na maioria dos Anexos. O regulamento é a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT, Decreto-Lei nº 5.452/1943) e a Lei nº 8.212/1991.

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Por que o custo é maior que o salário

O empresário iniciante muitas vezes contrata olhando apenas para o salário base combinado. É um erro comum. O valor que sai da conta da empresa é substancialmente maior, porque o Brasil concentra em cima da folha:

  • Tributos (INSS patronal, RAT, Sistema S);
  • Depósitos obrigatórios (FGTS);
  • Provisões contábeis que a empresa pode ter de desembolsar (férias, 13º, rescisão);
  • Benefícios de mercado (VR, VT, plano de saúde) que já são esperados pelo trabalhador;
  • Custos operacionais (uniforme, treinamento, ergonomia, equipamento).

Entender essa composição é essencial para planejar contratações, precificar produtos e serviços e decidir entre CLT e outros modelos, como PJ ou serviço temporário. Detalhes em CLT x PJ 2025.

Os 5 blocos do custo total do CLT

1. Salário bruto

Valor mensal combinado, registrado em CTPS. Base para todos os outros cálculos. Nunca inferior ao salário mínimo (R$ 1.621,00 em 2026) ou ao piso da categoria.

2. Encargos patronais

  • FGTS: 8% sobre a remuneração;
  • CPP (Contribuição Previdenciária Patronal): 20% no Presumido e no Real; embutido no DAS no Simples (Anexos I, II, III, V);
  • RAT (Riscos Ambientais do Trabalho): 1% (risco leve), 2% (médio) ou 3% (alto);
  • Sistema S: 5,8%  (SESI, SENAI, SESC, SENAC, SEBRAE, SENAT, SEST, salário-educação, INCRA), conforme atividade.

3. Provisões

  • Férias: 1/12 do salário + 1/3 constitucional = 11,11% do salário mensal;
  • 13º salário: 1/12 = 8,33% do salário mensal;
  • Multa rescisória: 40% do saldo do FGTS em caso de dispensa sem justa causa (provisão anual).

4. Benefícios

  • Vale-transporte (VT): até 6% do salário. O empregado paga essa cota, empresa complementa;
  • Vale-refeição/alimentação: R$ 15 a R$ 50 por dia (média R$ 500 a R$ 1.500/mês);
  • Plano de saúde: R$ 200 a R$ 1.500/mês por vida, dependendo do plano;
  • Plano odontológico: R$ 40 a R$ 100/mês;
  • Seguro de vida: R$ 20 a R$ 50/mês.

5. Custos administrativos

  • Contabilidade da folha (parte do plano contábil);
  • Registro no eSocial (evento S-2200);
  • Uniforme e equipamento (variável por função);
  • Treinamento inicial e reciclagem;
  • Exames admissional e demissional (R$ 100 a R$ 300 cada).

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Exemplo: custo real de um empregado R$ 3.000 no Simples Nacional

  • Salário base: R$ 3.000,00;
  • FGTS (8%): R$ 240,00;
  • CPP (embutida no DAS): R$ 0,00 direto;
  • Provisão 13º (8,33%): R$ 250,00;
  • Provisão férias (11,11%): R$ 333,00;
  • Provisão multa rescisória (3,2%): R$ 96,00;
  • Vale-refeição (R$ 30/dia × 22 dias): R$ 660,00 (parcela da empresa);
  • Vale-transporte (6% do salário): R$ 180,00 (parcela da empresa);
  • Plano de saúde (parte empresa): R$ 400,00.

Custo total mensal: aproximadamente R$ 5.159,00 (72% maior que o salário base).

Exemplo: mesmo empregado no Lucro Presumido

  • Salário base: R$ 3.000,00;
  • CPP (20%): R$ 600,00;
  • FGTS (8%): R$ 240,00;
  • Sistema S (5,8% médio): R$ 174,00;
  • RAT (2% médio): R$ 60,00;
  • Provisão 13º: R$ 250,00;
  • Provisão férias: R$ 333,00;
  • Provisão rescisória: R$ 96,00;
  • Benefícios: R$ 1.240,00 (VR, VT, plano);

Custo total mensal: aproximadamente R$ 5.993,00 (100% maior que o salário base).

A diferença entre Simples e Presumido para o mesmo salário é de R$ 834,00/mês por empregado (R$ 10.008/ano), justamente pela CPP embutida no DAS do Simples.

Faixas de custo por salário no Simples

  • Salário R$ 1.621 (mínimo): custo total aproximado R$ 2.300 a R$ 2.900; 
  • Salário R$ 3.000: custo total aproximado R$ 5.000 a R$ 5.500;
  • Salário R$ 5.000: custo total aproximado R$ 8.000 a R$ 9.000;
  • Salário R$ 8.000: custo total aproximado R$ 12.500 a R$ 14.000;
  • Salário R$ 15.000: custo total aproximado R$ 22.500 a R$ 26.000.

Detalhes do cálculo em calculadora de salário líquido e em variáveis da folha de pagamento.

Cuidado: empresas do Anexo IV do Simples

Atenção: empresas do Anexo IV do Simples Nacional (advocacia, construção civil, serviços de vigilância, limpeza, conservação) NÃO têm a CPP embutida no DAS. Elas recolhem a Contribuição Previdenciária Patronal de 20% + RAT por fora, como Presumido e Real. O impacto no custo pode passar de 20% + rat (1% a 3%) do salário base.

MEI contratando CLT

O MEI pode contratar 1 empregado com salário mínimo ou piso da categoria. Regras especiais:

  • INSS patronal reduzido: 3% (não 20%);
  • FGTS normal: 8%;
  • Recolhimento no DAE-MEI (Documento de Arrecadação do eSocial);
  • Custo total: aproximadamente R$ 1.700 para salário mínimo (11% de encargos).

Efeito do Fator R no Simples

Empresas de serviço do Simples Nacional com Fator R podem migrar do Anexo V (alíquotas mais altas) para o Anexo III (alíquotas mais baixas) se a folha (salários + pró-labore + encargos) for maior que 28% do faturamento. Ou seja: contratar CLT pode não só ser custo, mas também estratégia de redução tributária no Simples. É um dos poucos casos em que aumentar folha diminui carga total.

Como reduzir o custo total legalmente

  • Simples Nacional Anexo III para empresas de serviço, aproveitando Fator R;
  • Benefícios via PAT (Programa de Alimentação do Trabalhador) com dedução de IRPJ e imune a INSS;
  • Vale-alimentação em cartão específico para não integrar salário;
  • Contratação de aprendiz ou jovem aprendiz com custo reduzido;
  • Home office estruturado com termo aditivo, reduzindo VT;
  • Uso de estágio ou aprendiz PCD quando compatível;
  • Terceirização de atividade-meio (limpeza, segurança, TI) na modalidade PJ.

Custo anual esperado

A visão mensal não conta a história completa. Ao contratar CLT, o empresário deve raciocinar em base anual, com as sazonalidades:

  • 12 salários mensais;
  • 13º salário integral pago em duas parcelas (novembro e dezembro);
  • Férias anuais (1 mês de salário + 1/3);
  • Provisão de rescisória (multa de 40% do FGTS);
  • Encargos e benefícios nos 12 meses.

Para o empregado de R$ 3.000 no Simples do exemplo, o gasto anual chega a aproximadamente R$ 65.000, ou o equivalente a 1,8 salário mensal médio projetado por mês do ano. É esse número que deve entrar no orçamento e na precificação.

Erros ao calcular o custo do CLT

  • Ignorar as provisões, tratando salário base como custo total (erro comum em precificação);
  • Não incluir INSS patronal no Presumido/Real, subestimando em 20%;
  • Esquecer o Sistema S, que pode passar de 5,8% do salário;
  • Não provisionar rescisão, causando surpresa em demissões;
  • Confundir Anexo III e IV do Simples (com/sem CPP embutida);
  • Considerar VT como custo total (na verdade, 6% é do empregado);
  • Não separar benefícios trabalhistas de indenizatórios, gerando problema em fiscalização.

Conclusão: cada CLT custa quase o dobro do salário

Contratar CLT no Brasil em 2026 significa desembolsar, em regra, de 70% a 100% a mais que o salário base. Ignorar esse fato leva a precificação errada, prejuízo mensal e demissões dolorosas. Conhecer os cinco blocos (salário, encargos, provisões, benefícios, administrativos), o regime da empresa (Simples com CPP embutida, Presumido/Real com CPP por fora, MEI com 3%) e as estratégias legais de redução (Fator R, PAT, home office) é essencial. Uma contabilidade digital ajuda a simular cada cenário antes de contratar. Veja também CLT x PJ no blog e calculadora de salário líquido.

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  • Decreto-Lei nº 5.452/1943 (CLT);
  • Constituição Federal de 1988, art. 7º (direitos sociais);
  • Lei nº 8.036/1990 (FGTS);
  • Lei nº 8.212/1991 (Custeio da Previdência - INSS patronal e RAT);
  • Lei nº 6.321/1976 (PAT);
  • Lei nº 7.418/1985 (vale-transporte);
  • Lei nº 4.090/1962 (13º salário);
  • Lei nº 13.467/2017 (Reforma Trabalhista);
  • Lei Complementar nº 123/2006 (Simples Nacional);
  • Resolução CGSN nº 140/2018 (Anexos do Simples).

FAQ sobre Funcionário CLT

Pâmela Chaves

Pâmela Chaves

Bacharel em Direito, Pós-graduada em Direito Tributário, Analista de Departamento Pessoal (DP). Atua na rotina de folha de pagamento, cálculos trabalhistas e conformidade com a legislação tributária, trabalhista e previdenciária.

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