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CLT x PJ 2025: Qual Vale Mais a Pena?

Quando escolher entre CLT ou PJ? Esse artigo iremos abordar a fundo quais dos dois faz mais sentido para você.
Descomplicando A Sua Gestão Empreendedorismo
Por Ana Paula Salvatori
30 ago 2025 | Atualizado 31 ago 2025
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Escolher entre CLT x PJ deixou de ser apenas um bate-papo de corredor e se tornou uma decisão estratégica que afeta diretamente seu ganho líquido anual, sua segurança jurídica e sua qualidade de vida.

O modelo de contratação impacta não só o quanto entra no seu bolso todo mês, mas também seus direitos trabalhistas, estabilidade e benefícios, além da forma como você gerencia riscos e planeja seu futuro profissional.

Neste guia atualizado para 2025, você vai encontrar:

  • Um comparativo claro entre CLT e PJ, com vantagens e desvantagens de cada modelo;
  • Orientações sobre quando cada formato costuma ser mais vantajoso;
  • Um passo a passo para calcular o líquido anual de forma correta;
  • Um exemplo prático com números realistas para facilitar sua análise;
  • Acesso à Planilha CLT x PJ 2025, que compara automaticamente salário CLT e nota PJ considerando todos os custos, impostos e benefícios.

O que muda entre CLT e PJ (em 5 minutos)

Antes de falar sobre cálculos, é essencial entender o que realmente muda entre os dois modelos.

CLT — Carteira assinada, direitos e proteção

  • Pacote legal: salário mensal, 13º salário, férias + 1/3, FGTS (8%), INSS e possibilidade de seguro-desemprego.
  • Ambiente corporativo: benefícios (VR, VT, PLR, plano de saúde), plano de carreira e previsibilidade de renda.
  • Cálculo do líquido: descontos de INSS progressivo e IRRF; FGTS entra no pacote anual, não no líquido mensal.

PJ — CNPJ, emissão de nota fiscal e autogestão

  • Funcionamento: recebe por nota fiscal (Simples/Presumido/Real), paga DAS, define pró-labore (com INSS e possível IR) e custeia os próprios benefícios (saúde, férias, seguros).
  • Vantagens típicas: potencial de líquido maior, flexibilidade de horário/local, negociação direta e possibilidade de planejamento tributário (Anexos III, IV ou V do Simples Nacional, considerando o Fator R).
  • Responsabilidade: provisão para férias e 13º equivalentes, reserva de emergência e contrato bem redigido.

Risco jurídico

Se a relação tiver subordinação, habitualidade e pessoalidade (características de vínculo empregatício), a Justiça do Trabalho pode reconhecer o vínculo CLT, cobrando encargos e benefícios retroativamente.

Importante: um PJ legítimo é um prestador autônomo, com entregas por projeto ou escopo, sem subordinação direta.

Exemplo rápido para calibrar a análise

Proposta CLT: R$ 12.000/mês

Proposta PJ: R$ 16.000/mês

A conta não é comparar apenas R$ 12k vs. R$ 16k no mês.

Na CLT: some 13º salário , férias + 1/3, FGTS e benefícios, depois desconte INSS e IRRF para obter o líquido anual.

Na PJ: subtraia de todas as notas do ano os custos de DAS, pró-labore/INSS/IR, contabilidade, saúde, seguros, ferramentas e provisões para férias/13º. Só então compare os dois líquidos anuais.

Vantagens e Desvantagens: CLT x PJ (2025)

A melhor escolha depende do seu perfil de risco, do horizonte de carreira e da capacidade de organização financeira. Abaixo, um comparativo direto para facilitar sua análise:

Critério CLT (Carteira Assinada) PJ (CNPJ + Nota Fiscal)
Renda líquida potencial Menor no mês devido a INSS/IRRF, mas inclui 13º salário, férias + 1/3 e FGTS no pacote anual Geralmente maior no mês; depende do regime tributário (Simples/Presumido) e da gestão de custos
Direitos / segurança Alta: férias, 13º, FGTS, seguro-desemprego, estabilidade em situações específicas Baixa: sem direitos trabalhistas; precisa autoprovê férias, 13º equivalente e reservas
Tributação Descontos na folha (INSS progressivo + IRRF); sem emissão de NF DAS (Simples, em geral), pró-labore com INSS, possível IRPF/IRPJ; emissão de NF obrigatória
Benefícios Normalmente oferece VR, VT, plano de saúde/odontológico, PLR Você escolhe e paga seus próprios benefícios (saúde, previdência, seguros)
Previsibilidade Alta: salário fixo, datas definidas, holerite Média: variação por hora/projeto; risco de interrupção de contrato
Risco jurídico Baixo (relação regida pela CLT) Médio/alto se houver pejotização (subordinação/habitualidade/pessoalidade)
Crédito / financiamentos Facilitado (renda formal no holerite) Pode exigir comprovação por NF, extratos e histórico consistente
Planejamento tributário Limitado Amplo: escolha de Anexo, aplicação do Fator R, deduções e estrutura societária

Optar pelo modelo PJ pode ser tanto uma grande oportunidade de ganhos como também de uma fonte de dor de cabeça por conta dos tributos, justamente para evitar essa dor de cabeça que Razonet atua. Então evite dores de cabeça na hora de se formalizar e conheça os nossos serviços de Contabilidade Digital.

Quando cada modelo vale mais a pena

Nem sempre a proposta com valor bruto maior é a mais vantajosa. É preciso considerar estilo de vida, momento profissional e gestão financeira.

Quando CLT costuma valer mais a pena

  • Você valoriza estabilidade e cobertura legal (férias, 13º, FGTS, seguro-desemprego).
  • O pacote de benefícios corporativos é robusto (plano de saúde premium, PLR, bônus).
  • Perfil conservador: prefere a previsibilidade de renda e baixa exposição a riscos jurídicos ou tributários.
  • Momento de vida exige renda formal comprovada em holerite (financiamento, vistos, crédito).

Quando PJ costuma valer mais a pena

  • A proposta PJ entrega líquido anual ≥ 20% acima do CLT anualizado.
  • Você tem disciplina financeira para provisionar férias/13º, criar reserva de emergência e contratar seus próprios benefícios.
  • autonomia real (sem subordinação) e possibilidade de otimizar tributos via Simples Nacional (preferencialmente no Anexo III com Fator R ≥ 28%) ou até no Lucro Presumido.
  • Você possui portfólio de clientes ou contrato com prazo/escopo claro, reduzindo risco de períodos sem trabalho.

Atenção jurídica:

Se o contrato PJ exigir:

  • Cumprir horário como empregado;
  • Responder a gestão direta;
  • Utilizar recursos internos da empresa;
  • Não permitir substituição do prestador;

Há indícios de vínculo CLT. Nesse caso, reavalie o formato com um advogado trabalhista.

Cálculo comparativo: quanto a mais preciso receber como PJ?

A decisão entre CLT e PJ só fica clara quando você compara o líquido anual de cada formato, considerando todos os custos e benefícios.

1. Calcule o CLT líquido anual

Some: salário líquido de 12 meses + 13º líquido + férias líquidas + 1/3 constitucional.

Monetize os benefícios: VR/VT, plano de saúde/odontológico, bônus/PLR.

Adicione o FGTS anual (8% do salário bruto × 12) como valor patrimonial do pacote.

Resultado: CLT total.

2. Calcule os custos anuais de ser PJ

DAS do seu regime (Simples/Presumido) — use a alíquota efetiva do seu CNAE/faixa.

Pró-labore + INSS (e IRPF sobre o pró-labore, quando houver).

Benefícios por conta própria: plano de saúde, previdência, seguros, etc.

Ferramentas e serviços: contabilidade, softwares, coworking, internet, equipamentos.

Provisões: férias e “13º” equivalentes.

Resultado: Custos_PJ_fixos (parte fixa) + DAS variável (parte percentual).

3. Monte a conta do PJ líquido anual

Receita_PJ_anual = nota mensal × 12

PJ_total_líquido = Receita_PJ_anual − (DAS variável + Custos_PJ_fixos)

4. Ache o ponto de equilíbrio (break-even) — quanto você precisa faturar como PJ para empatar com a CLT

Nota mensal = (CLT total + Custos PJ fixos) ÷ margem líquida anual (ex: 0,9 para 10% de imposto)

Exemplo prático

Premissas:

CLT:

  • Salário bruto: R$ 12.000/mês
  • Salário líquido estimado: R$ 8.000/mês
  • Benefícios: R$ 1.000/mês
  • FGTS: 8% do bruto
  • CLT_total anual (12 salários líquidos + 13º + férias + 1/3 + benefícios + FGTS): ≈ R$ 138.000/ano

PJ:

  • Custos fixos anuais (contabilidade, saúde, provisões, etc.): ≈ R$ 24.000
  • Alíquota efetiva de DAS (Simples Nacional): 10%

Cálculo do Ponto de equilíbrio:

(138.000 + 24.000) ÷ (12 × 0,9)

≈ 162.000 ÷ 10,8

R$ 15.000/mês

Resultado:

A partir de R$ 15.000/mês em nota fiscal, o modelo PJ começa a ser mais vantajoso.

Propostas de R$ 17–18 mil/mês ou mais geram ganho líquido relevante.

Abaixo de R$ 15 mil, a CLT tende a ser financeiramente superior.

Dicas rápidas para sua simulação

  • Sempre use alíquota efetiva, não a nominal da tabela.
  • Inclua provisões (férias e “13º” do PJ) e benefícios equivalentes — isso muda o resultado.
  • Some o FGTS ao pacote CLT (mesmo que não entre no líquido do mês).
  • Se o Fator R for ≥ 28%, a alíquota efetiva no Simples pode cair (Anexo III), melhorando o cenário PJ.

 

Perguntas Frequentes

1. Como saber se devo aceitar proposta PJ ou CLT?

A decisão deve ser feita com base no líquido anual de cada opção, não apenas no valor mensal. Calcule todos os ganhos e descontos, incluindo benefícios, impostos e custos de cada modelo. Se o líquido anual do PJ for pelo menos 20% maior e você tiver disciplina para provisionar férias, 13º e montar reserva de emergência, pode valer a pena.

2. Qual a diferença principal entre CLT e PJ na prática?

CLT: contrato com carteira assinada, direitos trabalhistas, FGTS, benefícios corporativos e descontos de INSS/IRRF direto na folha.

PJ: contrato como pessoa jurídica, emissão de nota fiscal, pagamento de impostos via DAS, pró-labore e IR (quando aplicável), sem direitos trabalhistas — você mesmo custeia benefícios e provisões.

3. Quais impostos pago como PJ?

Depende do regime tributário:

  • Simples Nacional: DAS (alíquota efetiva varia por CNAE, Anexo e Fator R).
  • Lucro Presumido: IRPJ, CSLL, PIS e COFINS sobre receita bruta.

Além disso, há pró-labore com INSS e, quando aplicável, IRPF sobre o pró-labore.

4. O que é pejotização e por que é um risco?

Pejotização é quando o contrato PJ esconde um vínculo empregatício. Se houver subordinação, habitualidade e pessoalidade, a Justiça pode reverter para CLT, cobrando encargos e benefícios retroativos. Isso gera riscos para ambos os lados.

5. Qual o impacto do Fator R na escolha PJ?

O Fator R determina se a atividade será tributada no Anexo III (alíquota menor) ou no Anexo V (alíquota maior) do Simples Nacional. Se o Fator R for igual ou superior a 28%, a alíquota efetiva cai, tornando a opção PJ mais vantajosa.

6. Como calcular meu salário líquido anual na CLT?

Some:

  • Salário líquido × 12 meses
  • 13º líquido
  • Férias líquidas + 1/3 constitucional
  • Monetize benefícios (VR, VT, saúde, PLR)
  • Adicione o FGTS anual (8% do bruto × 12)

Resultado: CLT_total para comparação.

7. Como calcular o líquido anual como PJ?

Some toda a receita de notas fiscais no ano e subtraia:

  • DAS (ou tributos no Presumido)
  • Pró-labore + INSS e IRPF (quando houver)
  • Benefícios, seguros, previdência, contabilidade e ferramentas
  • Provisões para férias e 13º equivalentes

Resultado: PJ_total_líquido.

8. Posso emitir nota como MEI para trabalhar como PJ?

Depende do valor e da atividade. O MEI tem limite de faturamento anual e restrição de atividades. Em muitos casos, contratos de alto valor ou com empresas grandes exigem CNPJ fora do MEI (Simples Nacional).

9. Como a escolha entre CLT e PJ afeta financiamentos e crédito?

CLT: facilita a aprovação, pois a renda é comprovada pelo recibo da folha de pagamento.

PJ: pode exigir comprovação via notas fiscais, extratos bancários e histórico de recebimentos.

10. É possível mudar de CLT para PJ depois de contratado?

Sim, mas deve ser feito de forma correta e legal. Se a mudança mantiver subordinação, habitualidade e pessoalidade, pode configurar pejotização. É fundamental consultar um advogado trabalhista.

11. Existe um valor mínimo para que PJ compense em relação à CLT?

Sim. Normalmente, PJ só compensa se o líquido anual for pelo menos 20% maior que o da CLT, considerando todos os custos.

12. Posso ter mais de um cliente sendo PJ?

Sim. Inclusive, diversificar a carteira de clientes reduz o risco de ficar sem contrato e aumenta a segurança financeira.

13. Preciso de certificado digital para emitir nota como PJ?

Na maioria dos casos, sim. A obrigatoriedade depende da cidade e do tipo de nota fiscal. Veja nosso guia: Certificado Digital: qual escolher.

14. Vale a pena abrir empresa só para prestar serviço como PJ?

Pode valer, se a remuneração e as condições contratuais compensarem os custos e responsabilidades extras. O ideal é simular os números antes, considerando Simples Nacional e Fator R.

 

Qual é a melhor escolha para você?

Optar entre CLT e PJ vai muito além de olhar apenas o valor mensal oferecido. É uma decisão que impacta diretamente seu ganho líquido anual, sua segurança jurídica e até mesmo sua qualidade de vida.

De forma prática:

  • CLT é mais indicada para quem busca estabilidade, direitos garantidos e benefícios corporativos robustos.
  • PJ tende a ser vantajosa quando a proposta garante pelo menos 20% a mais de líquido anual e você tem disciplina para gerir impostos, provisões e benefícios.

Dica do especialista da Razonet: Sempre compare o valor anualizado das duas opções antes de decidir. Uma boa decisão é aquela que equilibra remuneração, segurança e liberdade. Fale agora com a nossa equipe e descubra qual formato de contratação é mais vantajoso para o seu caso. Podemos ajudá-lo a simular o seu cenário, calcular todos os custos e benefícios e evitar erros que podem comprometer seu ganho real.